Estudo aponta que Pará reúne 11 das 20 cidades com pior qualidade de vida do país

 A pesquisa analisou 5.570 cidades brasileiras a partir de indicadores sociais e ambientais.

Jacareacanga, no Pará. — Foto: Reprodução

Onze dos 20 municípios com os piores índices de qualidade de vida do Brasil estão no Pará, segundo dados do Índice de Progresso Social Brasil 2026, divulgados nesta quarta-feira (20). O levantamento avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais.

       Entre as cidades paraenses com os menores desempenhos no ranking nacional — considerando municípios com até 100 mil habitantes — estão Jacareacanga, Portel, Pacajá, Anapu, Uruará, Trairão, Bannach, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte, Oeiras do Pará e Anajás.

Jacareacanga, localizado no sudeste paraense, apresentou o pior resultado entre os municípios do estado, com nota 42,32 em uma escala que varia de 0 a 100. A seguir, veja a tabela com os 20 municípios de pior desempenho no país.

dados da reportagem, imagem por canal 8 news / dados por ips brasil.

O ranking dos 20 municípios com os piores resultados no Índice de Progresso Social Brasil evidencia a concentração dos menores índices de qualidade de vida na Região Norte, especialmente em áreas que integram a Amazônia Legal. Em contrapartida, municípios das regiões Sul e Sudeste concentram as maiores pontuações do país.

A Amazônia Legal compreende nove estados brasileiros localizados na região da bacia amazônica: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão.

Segundo o levantamento, entre os principais fatores de vulnerabilidade da região amazônica estão a perda significativa de cobertura florestal, a supressão da vegetação secundária, os elevados índices de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) e a insuficiência de áreas verdes nos centros urbanos.

O levantamento também avaliou o desempenho médio dos estados brasileiros. O Pará registrou índice de 55,80 e ocupou a última colocação entre as 27 unidades federativas do país.

Os dados ainda apontam desafios ambientais significativos na região amazônica. Estados que compõem a Amazônia Legal apresentaram desempenho inferior no componente “Qualidade do Meio Ambiente”, cenário associado ao avanço do desmatamento e à elevada concentração de emissões de gases de efeito estufa.

Entre as capitais brasileiras, os resultados foram relativamente mais positivos. As exceções foram Macapá e Porto Velho, que registraram os piores desempenhos do país. Já Belém aparece na 21ª posição do ranking nacional, com nota 63,90.

Como o índice foi elaborado

O Progresso Social é definido como a capacidade de uma sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os cidadãos possam desenvolver plenamente seu potencial.

Com base nesse conceito, o Índice de Progresso Social Brasil 2026 foi estruturado em três dimensões, 12 componentes e 57 indicadores sociais e ambientais.

Dimensões avaliadas

  • Necessidades Humanas Básicas
  • Fundamentos do Bem-estar
  • Oportunidades

Cada dimensão reúne quatro componentes específicos. Na dimensão “Necessidades Humanas Básicas”, por exemplo, o componente “Segurança Pessoal” considera indicadores como assassinatos de jovens, assassinatos de mulheres, homicídios e mortes provocadas por acidentes de transporte.


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