Governo venezuelano também informou que outras 2.980 pessoas ficaram feridas e que 250 edifícios desabaram ou sofreram graves danos. Balanço ainda é provisório e equipes seguem buscando sobreviventes entre os escombros.
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| Imagem mostra destruição em Catia La Mar, na Venezuela, após terremoto — Foto: Federico Parra/AFP |
O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 920 pessoas, segundo o mais recente balanço divulgado pelo governo venezuelano às 14h20 (horário de Brasília) desta sexta-feira (26). As autoridades também confirmaram 2.980 pessoas feridas, enquanto as operações de resgate continuam em diversas áreas devastadas do país.
Os dois terremotos ocorreram na noite da última quarta-feira (24) e atingiram principalmente a região norte da Venezuela, onde está localizada a capital, Caracas. Além do elevado número de vítimas, os tremores provocaram o desabamento de edifícios, destruíram bairros inteiros e deixaram milhares de famílias desabrigadas. Especialistas classificam o evento como o mais intenso registrado no país em mais de um século.
O novo balanço foi apresentado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que ressaltou que os números permanecem provisórios devido à continuidade das operações de busca. Organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), avaliam que o número de vítimas poderá aumentar à medida que novas áreas sejam alcançadas pelas equipes de resgate, especialmente em regiões de difícil acesso e com grande concentração populacional.
Na quinta-feira (25), o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, informou que pelo menos 200 pessoas permaneciam presas sob os escombros. Segundo ele, o governo já contabilizou 250 edifícios totalmente destruídos ou gravemente danificados, cenário que evidencia a dimensão da tragédia.
Diante da situação, o governo anunciou a militarização do estado de La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos terremotos e oficialmente incluída na zona de desastre decretada pelas autoridades. A medida busca reforçar a segurança, facilitar a distribuição de ajuda humanitária e ampliar os trabalhos de busca e salvamento.
Enquanto bombeiros, militares e equipes especializadas seguem removendo destroços, grupos organizados por moradores também auxiliam na procura por parentes e amigos desaparecidos. Plataformas criadas para reunir informações sobre vítimas já registram mais de 24 mil pessoas desaparecidas, número que ainda depende de confirmação oficial. Nas redes sociais, continuam circulando relatos, fotografias e vídeos que mostram prédios desabados, ruas destruídas e moradores tentando resgatar vítimas com as próprias mãos.
A tragédia mobilizou a comunidade internacional. Diversos países anunciaram apoio ao governo venezuelano, entre eles Brasil e Estados Unidos, que enviaram equipes especializadas em busca e salvamento, além de profissionais de saúde e ajuda humanitária. Nesta sexta-feira, os primeiros grupos internacionais começaram a desembarcar na Venezuela para reforçar as operações de emergência.
Os terremotos
Os dois terremotos ocorreram com um intervalo inferior a um minuto e tiveram seus epicentros separados por aproximadamente cinco quilômetros. O abalo mais forte teve epicentro na cidade de El Guayabo, localizada a cerca de 168 quilômetros de Caracas.
Após os principais tremores, diversas réplicas foram registradas, especialmente em cidades costeiras próximas à capital, como La Guaira, onde a destruição foi ainda mais severa. Como medida preventiva, o aeroporto internacional de Caracas teve suas operações suspensas.
Além das magnitudes registradas, de 7,2 e 7,5, especialistas explicam que a baixa profundidade dos abalos contribuiu decisivamente para a intensidade dos danos observados. Quanto mais próximo da superfície ocorre um terremoto, maior tende a ser a energia transmitida ao solo, aumentando significativamente o potencial de destruição em áreas urbanas.
As autoridades venezuelanas mantêm as operações de busca ininterruptamente, enquanto hospitais trabalham acima da capacidade para atender os feridos. A expectativa é de que novos balanços sejam divulgados nas próximas horas, à medida que as equipes consigam acessar áreas ainda isoladas e remover os escombros deixados por uma das maiores tragédias naturais da história recente do país.
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